Análise de dados: como validar dados de pesquisa quantitativa

Pedro D'Angelo
Análise de dados: como validar dados de pesquisa quantitativa

Fazer uma boa análise é essencial antes de acreditar em qualquer dado ou informação que descobrimos por aí. Seja na internet, na Tv, no Whatsapp ou até em uma conversa do dia a dia, validar dados de pesquisa é essencial para saber se confiamos – ou não – no conteúdo que consumimos.

Vamos aprender agora a validar dados de pesquisa, tanto nos estudos que você mesmo realizar quanto nos conteúdos que ler ou ouvir. Veja também como analisar informações corretamente e dizer se os resultados de uma pesquisa quantitativa são confiáveis.

Por que devemos nos preocupar com análise de dados

Estamos vivendo na era do fake news. Principalmente nas redes sociais, estamos cercados de notícias com características que fazem com que pareçam verdadeiras, porém com dados e informações falsas.

Como a informação circulando cada vez mais rapidamente e por canais diversos, o trabalho de separar o que é verdadeiro do que é falso está complicado.

O assunto é tão preocupante que já virou pauta na Justiça Eleitoral brasileira, preocupada com os rumos das Eleições 2018.

Na pesquisa exclusiva que realizamos sobre fake news, descobrimos que 37% dos internautas já compartilharam algo via redes sociais ou WhatsApp e descobriram que o conteúdo era falso.

Quando trazemos a confiabilidade dos dados para o mundo dos negócios, saber fazer uma análise de dados também é essencial.

As pesquisas de mercado são ótimas chances de descobrir mais sobre seu público, testar produtos para lançar e validar ideias importantes sobre o seu negócio. Dessa forma, uma pesquisa precisa ser confiável e ter dados válidos que comprovem as conclusões que vamos tirar a partir deles.

Pesquisas são formas de obter mais segurança para entender, refletir e tomar decisões. Se os dados de pesquisa, por algum motivo, não são confiáveis, temos um problema sério nas mãos.

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Como validar dados de pesquisa na mídia

Quando você encontrar conteúdo embasado em uma pesquisa quantitativa, esteja preparado para olhar mais criticamente os dados apresentados. Muitas vezes, pessoas e veículos de mídia podem interpretar e divulgar dados que não podem ser considerados confiáveis, por uma série de motivos. Para cumprir essa tarefa de análise de dados, vamos explicar alguns pontos fáceis de conferir ao se deparar com dados de uma pesquisa quantitativa:

Quem fez a pesquisa?

O primeiro ponto é identificar a origem dos dados divulgados. Antes de mais nada, cada porcentagem e indicador que vier de uma pesquisa precisa ter sua fonte citada. Estudos contratados ou divulgados por empresas de pesquisa sempre virão com os devidos créditos e é esse o primeiro fator que o olho deve buscar.

Encontrou números sem fontes e referências de origem? Pode desconfiar e pedir essa informação para quem divulgou os dados.

Qual foi a amostra da pesquisa?

A amostra de uma pesquisa simboliza a parcela da população que foi entrevistada naquele estudo. Essa parcela precisa ser representativa do público-alvo da pesquisa e também constar na divulgação dos dados.

Para validar dados da amostra, confira a quantidade de entrevistas e as especificações do público entrevistado. Uma pesquisa eleitoral precisa entrevistar pessoas de localidades, idades e classes sociais diferentes, por exemplo. Uma pesquisa com o público brasileiro em geral, também deve ter uma leve maioria de mulheres.

Caso a pesquisa quantitativa mostre uma distribuição desigual desse público, os dados ficam comprometidos.

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Qual é a margem de erro do estudo?

A margem de erro é o índice que determina a estimativa máxima de erro dos resultados de uma pesquisa.

Trata-se de um cálculo usado em pesquisas quantitativas para simbolizar a porcentagem dos resultados que pode variar para mais ou para menos.

A margem de erro ideal é a menor possível, e precisamos estar sempre atentos a isso. Uma pesquisa com margem de erro muito alta apresenta uma variação que compromete a confiabilidade dos dados.

Quando foi feita a coleta de dados da pesquisa?

A data em que foi realizada a pesquisa também deve ser divulgada e conferida na hora de validar dados. Ao fazer uma análise de dados de uma pesquisa, confira quando foram realizadas as entrevistas. Em ano eleitoral, por exemplo, pesquisas mais próximas da data da eleição tendem a mostrar resultados mais prováveis de se concretizar.

Pesquisas antigas podem não refletir mais a opinião do público entrevistado, pois muita coisa pode ter acontecido desde a realização das entrevistas.

Como validar o banco de dados da sua própria pesquisa

Na hora de validar dados de uma pesquisa de mercado que você fez ou contratou, vários dos fatores acima vão se repetir. Veja alguns pontos importantes para avaliar na análise de dados da sua pesquisa, como fazer isso e como fazemos no Opinion Box.

Cálculo da margem de erro

Imagine que você quer lançar um produto no mercado. Para validar sua ideia, precisará saber se existe um mercado para esse produto e quais são as necessidades reais desse público. Você vai testar o conceito do produto, o interesse de compra e o preço que o consumidor está disposto a pagar.

Se a porcentagem de entrevistados que compraria o produto fica muito próxima da porcentagem que não compraria, a margem de erro fará a diferença. Sua pesquisa, então, deve ter a menor margem de erro possível. Só assim é possível ter uma ideia mais segura do que fazer com os seus dados.

Para visualizar melhor esse conceito, confira a nossa calculadora de margem de erro. Com ela você consegue simular a quantidade de entrevistas a realizar para chegar na margem de erro que quer – e vice-versa.

Distribuição da amostra

Na hora de fazer a pesquisa, preocupe-se sempre com a distribuição da amostra. Uma pesquisa a nível Brasil com 80% de entrevistados com menos de 30 anos, por exemplo, não condiz com a realidade. Pessoas acima dessa idade não estão representadas na amostra e os resultados tornam-se enviesados por isso.

Esse cuidado é imprescindível para quem for fazer pesquisas com os próprios contatos. Nessa modalidade, você tem muito menos controle sobre as características de quem responde e as proporções da amostra. Já nas pesquisas feitas pelo Painel de Consumidores do Opinion Box, você pode ficar mais tranquilo. Em todos os projetos, cuidamos para distribuir a amostra dentro das proporções da sociedade brasileira.

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Respostas únicas por usuário

Toda pesquisa quantitativa precisa garantir que a mesma pessoa não responda ao questionário mais de uma vez. Novamente, quem for fazer uma pesquisa de mercado sozinho, precisa ficar muito atento.

Quanto disponibilizamos um link nas redes sociais para responder à pesquisa, por exemplo, fica muito difícil garantir que a mesma pessoa não clique mais de uma vez.

Para resolver essa situação, uma boa ideia é fazer perguntas de caracterização mais específicas. Entrevistados com características exatamente iguais poderão ser descartados na hora de validar os dados.

No Opinion Box, temos duas formas de garantir que a mesma pessoa não responda ao questionário duas vezes. Primeiro, nas pesquisas com os próprios contatos por email, cada usuário recebe um link único que só pode ser respondido uma vez.

Já no nosso Painel, todos os usuários passam por várias etapas de cadastro e validação dos dados. Todos os cadastrados são identificados pelo seu CPF, o que impede que uma pessoa tenha mais de uma conta.

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Tempo médio das respostas

Nas pesquisas contratadas com o time de Insights do Opinion Box, conseguimos validar dados de pesquisa também dessa forma mais específica. Contamos o tempo médio das respostas e, caso o usuário demore muito mais do que a média da amostra para responder ao questionário, identificamos como um problema. Tanto as repostas que demoraram demais quanto as rápidas demais são um alerta.

Teste de atenção para validar dados

Outra forma de validar dados durante uma pesquisa quantitativa, que pode ser feita por qualquer um, é incluir testes de atenção durante o questionário.

Especialmente em questionários mais longos, pode ser que o entrevistado se canse e comece a responder aleatoriamente às perguntas. Por isso, vale incluir ao longo da pesquisa uma pergunta de atenção, que peça para ele marcar uma alternativa específica.

A pergunta pode ser desde “Quanto é 2 + 2?” até um pedido para marcar a terceira alternativa, por exemplo. Quem não conseguir cumprir a tarefa pode ter a entrevista descartada.

Essas são as principais formas de validar pesquisas que você faz, contrata ou cujos resultados lê na mídia. Se quiser conhecer mais sobre segurança de dados nas nossas pesquisas, é só falar com o time do Opinion Box. Nossos especialistas em pesquisa estão aqui para tirar suas dúvidas e ajudar a fazer pesquisas sérias e confiáveis em todo o Brasil.

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Pedro D'Angelo

Pedro D'Angelo

É jornalista, mas decidiu aventurar-se com Marketing. Aqui no Opinion Box, cuida de Projetos e Relacionamento com o Cliente. Hiperativo e curioso por natureza, fala sobre qualquer assunto. Por isso, achou uma boa ideia sentar para escrever sobre eles.

Daniela Schermann
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