Fake news: como saber se os dados de uma pesquisa são confiáveis?

Daniela Schermann
Fake news: como saber se os dados de uma pesquisa são confiáveis?

Fake news, ou notícias falsas, são notícias criadas com o intuito de disseminar uma inverdade. Elas trazem características que fazem com que pareçam verdadeiras, porém com dados e informações falsas. Descubra como identificar dados de pesquisa falsos em notícias.

Em tempos de fake news, a preocupação com a credibilidade das informações que circulam na internet é muito importante. Como muitos veículos, sites e redes sociais divulgam dados de pesquisa, é preciso estar atento também à veracidade desses dados. Mas como saber se os dados de uma pesquisa são confiáveis?

O que são fake news

Fake news são notícias falsas, deliberadamente criadas para disseminar um boato ou uma inverdade. As fake news se parecem com notícias reais, no entanto, carregam informações caluniosas ou simplesmente mentirosas.

As fake news sempre existiram. Mas, com as redes sociais, elas acabam alcançando muito mais pessoas em muito menos tempo. Além disso, tem sido cada vez mais difícil distinguir uma notícia falsa de uma notícia verdadeira.

Grandes empresas, como Facebook e Google, estão reestruturando seus serviços e algoritmos, pensando em formas de combater as fake news.

O tema merece atenção. As fake news são compostas de informações e dados falsos. Para identificar se um texto é fake news, basta ficar atento a alguns aspectos e características do texto. Da mesma forma, os dados de pesquisa que são falsos ou distorcidos também têm características próprias.

Abaixo, nós apresentamos 7 dicas para saber se os dados de uma pesquisa são confiáveis. Dessa forma, você não vai se deixar enganar por falsas informações, nem vai compartilhar fake news em suas redes sociais:

1. Empresa responsável pela pesquisa

Normalmente, toda matéria ou texto jornalístico que traz os dados de uma pesquisa citam a fonte dos dados ou a empresa responsável pela pesquisa. Se o texto não traz essa informação, já pode começar a desconfiar.

Além disso, se é uma empresa que você nunca ouviu falar, não custa nada jogar o nome da empresa no Google e verificar se ela existe mesmo. Se a empresa de pesquisa não possui site, página nas redes sociais ou nenhuma outra informação online, pode ter certeza que se trata de fake news.

2. Fake news trazem dados falsos

Além de verificar a credibilidade da empresa de pesquisa, é importante também verificar a credibilidade do site onde o texto está publicado. É um veículo de informação conhecido? O site é confiável?

Se o texto tem cara de fake news, acredite, os dados também não são confiáveis.

3. Amostra significativa da pesquisa

Imagine uma manchete de jornal: “89% dos brasileiros querem a aprovação do projeto de lei”. Independentemente do projeto de lei, aparentemente, a aprovação é bem alta, certo? Mas, ao entrar na matéria, você descobre que apenas 20 pessoas foram entrevistadas.

Não é preciso ser estatístico para saber que 20 pessoas não é uma amostra representativa da população brasileira, certo?

Recomendado para você:  Amostra: como definir quantas entrevistas fazer em uma pesquisa de mercado

4. Margem de erro da pesquisa

Normalmente, ao apresentar os dados de uma pesquisa, os veículos trazem junto a margem de erro da pesquisa. A margem de erro é um índice que expressa a estimativa máxima de erro dos resultados de uma pesquisa.

Ou seja, se a margem de erro é de 2 pontos percentuais e o resultado da pesquisa diz que 28% dos entrevistados são contrários à uma ação do governo, por exemplo, isso significa que o percentual de pessoas contrárias à ação pode variar de 26% a 30%.

Se a pesquisa não traz margem de erro, ou se a margem de erro é muito alta, desconfie.

Para calcular a margem de erro, é preciso saber qual é a amostra da pesquisa. Quanto maior a amostra, menor a margem de erro. Por isso, os dois temas estão correlacionados e, juntos, mostram a confiabilidade da pesquisa.

5. Contexto dos dados

Existem alguns dados que não é preciso ser especialista em pesquisa de mercado para desconfiar. Números que mostram uma grande maioria a favor ou contra um tema polêmico, por exemplo, não são confiáveis.

Utilize seu senso crítico para avaliar o contexto dos dados. Lembre-se que as fake news, na maioria dos casos, têm como objetivo influenciar a sua opinião. Por isso, antes de compartilhar ou tomar aquele número como verdade, veja se ele faz sentido dentro de um contexto maior.

Além disso, observe também o público que foi entrevistado. Se apenas a classe AB foi entrevistada, ou apenas pessoas de uma certa idade ou de determinada região, isso pode influenciar os resultados. Muitas vezes, a manchete não dá a entender que aquele dado se refere a apenas um grupo, e ao ler a matéria percebemos que isso muda tudo.

É por isso que, para não cair em fake news, é importante ler o texto todo e não apenas a manchete.

6. Perguntas tendenciosas

Nem sempre o texto que apresenta os dados da pesquisa mostra como a pergunta foi feita. Mas, em alguns casos, é possível perceber que a pergunta foi feita de forma tendenciosa.

Você pode, por exemplo, observar nos gráficos que acompanham o texto quais eram as opções de resposta disponíveis. Imagine uma pesquisa que pede para os entrevistados avaliarem a imagem de determinado candidato à presidência.

O texto destaca que a maioria das pessoas o avaliam negativamente. Mas, ao olhar o gráfico atentamente, a maioria das opções de resposta é negativa, e apenas uma é positiva. É claro que isso influencia os resultados e não é um enunciado imparcial.

Perguntas que trazem adjetivos no enunciado ou que emitem opinião de alguma forma também podem influenciar a resposta, atrapalhando a credibilidade dos dados.

7. Análise dos dados

Em algumas situações, a pesquisa de mercado até é confiável, mas a análise dos dados feita pelo veículo é totalmente duvidosa. Imagine, por exemplo, uma pergunta: “Você gosta de viver no Brasil?”. Agora, imagine que, para todos aqueles que disseram que não gostam de viver no Brasil, a pesquisa pergunta: ‘Você gostaria de sair do Brasil?”.

Repare que a segunda pergunta foi feita apenas para quem não gosta de viver no Brasil. O dado tem que ser apresentado considerando este fato relevante. A manchete da notícia, então, não pode dizer que X% dos brasileiros gostariam de sair do Brasil, a não ser que os dados fossem recalculados para identificar qual seria o percentual em relação ao total de brasileiros.

Esses são alguns exemplos de cuidados que você precisa tomar ao ler dados de pesquisa. Lembre-se, as fake news têm objetivos extremamente nocivos para a sociedade, e por isso devem ser combatidas.

Quer fazer uma pesquisa de mercado para gerar conteúdos de qualidade? Converse com a gente!

Também poderá gostar de:

Como mapear a jornada de compra do consumidor digital Qualquer profissional de marketing entende a importância de conhecer a jornada de compra do consumidor. Mas a gente sabe...
O atual cenário da Inteligência Artificial no Brasil Muita gente pensa que a inteligência artificial no Brasil é utopia. Muitos, aliás, têm uma ideia futurista sobre o termo...
AUTOR
Daniela Schermann

Daniela Schermann

Jornalista e Líder de Marketing do Opinion Box, é especialista em Inbound Marketing e entende tudo sobre pesquisa e comportamento do consumidor. Prefere ser chamada só de Dani e está sempre aprendendo alguma coisa nova.

Daniela Schermann
Receba nossas novidades por e-mail