Jornada do usuário: como identificar pontos de atrito e melhorar a experiência

Beatriz Gonçalves
Jornada do usuário: como identificar pontos de atrito e melhorar a experiência

Você já parou para pensar em quantas interações uma pessoa tem com uma marca antes, durante e depois de utilizar um produto ou serviço? Cada uma dessas interações pode influenciar a percepção do público e determinar se a experiência será positiva, ou não. É nesse contexto que entra a jornada do usuário.

Entender essa jornada significa descobrir suas expectativas, necessidades e dificuldades em cada ponto de contato. Afinal, nem sempre a experiência que uma empresa oferece é a mesma que seus usuários realmente vivenciam.

Mas como identificar esses obstáculos e transformar essas informações em melhorias? Neste artigo, vamos mostrar como mapear a jornada do usuário na prática.

Confira o que você vai encontrar neste conteúdo:

O que é jornada do usuário?

A jornada do usuário é o caminho que uma pessoa percorre ao interagir com um produto, serviço ou marca. Ela engloba desde o primeiro contato até as diferentes experiências vividas durante o uso, considerando as ações, necessidades, expectativas e dificuldades encontradas ao longo do percurso.

Imagine, por exemplo, que alguém começa a utilizar um aplicativo de serviços financeiros. A jornada dessa pessoa pode começar com a descoberta da plataforma, passar pelo cadastro e pela primeira transação e continuar nas interações com os recursos disponíveis e com o suporte ao cliente.

Cada uma dessas etapas envolve diferentes pontos de contato, que podem influenciar a percepção do usuário e sua satisfação com a experiência.

Para compreender melhor esse percurso, as empresas podem construir um mapa da jornada do usuário, uma representação visual que organiza as etapas, interações e possíveis obstáculos encontrados. Com ele, fica mais fácil visualizar a experiência como um todo e identificar oportunidades de melhoria.

Jornada do usuário: como identificar pontos de atrito e melhorar a experiência

Qual a importância de mapear a jornada do usuário?

Uma boa experiência não depende apenas da qualidade de um produto ou serviço, mas de todas as interações que acontecem ao longo da relação entre o usuário e a marca. Por isso, mapear a jornada do usuário é fundamental para entender o que funciona, identificar dificuldades e encontrar oportunidades de melhoria.

E essa preocupação tem impacto direto nas decisões de consumo. Segundo o CX Trends 2026, pesquisa realizada pelo Opinion Box em parceria com a Octadesk, 87% dos consumidores dão preferência a marcas que oferecem boas experiências. Por outro lado, 67% já deixaram de comprar de uma empresa por terem uma experiência ruim.

Esses números mostram que cada ponto de contato importa. Um processo de cadastro complicado, uma plataforma pouco intuitiva ou um atendimento que não resolve o problema podem gerar frustrações e comprometer a relação com o usuário.

Ao mapear essa jornada, as empresas conseguem:

  • Identificar pontos de atrito: descobrir quais etapas geram dúvidas, dificuldades ou frustrações para os usuários;
  • Melhorar a experiência: tornar as interações mais simples, intuitivas e alinhadas às necessidades do público;
  • Encontrar oportunidades de melhoria: identificar ajustes e novas funcionalidades que podem agregar valor ao produto ou serviço;
  • Aumentar a satisfação e a fidelização: oferecer experiências mais consistentes, que incentivem os usuários a continuar utilizando a solução;
  • Tomar decisões baseadas em dados: substituir suposições por informações sobre o comportamento e as expectativas dos usuários.

No entanto, é importante lembrar que a jornada idealizada pela empresa nem sempre corresponde à experiência que as pessoas realmente vivenciam. Por isso, o mapeamento deve considerar não apenas os processos internos, mas também a perspectiva de quem utiliza o produto ou serviço.

Como explica Dani Schermann, CMO do Opinion Box, “um dos maiores desafios das empresas é perceber que a jornada planejada nem sempre corresponde à jornada que o usuário realmente vive. Por isso, ouvir as pessoas e entender suas dificuldades em cada ponto de contato é fundamental”.

Esse olhar permite que as empresas deixem de trabalhar apenas com suposições e passem a identificar, com mais clareza, o que precisa ser melhorado em cada etapa da experiência.

 

Quais são as etapas da jornada do usuário?

A jornada do usuário não segue necessariamente um caminho linear. Suas etapas podem variar de acordo com o produto, serviço e objetivo de cada pessoa, e um mesmo usuário pode voltar a etapas anteriores ou percorrer caminhos diferentes ao longo da experiência.

Ainda assim, é possível identificar alguns momentos comuns que ajudam a compreender essa trajetória:

Descoberta

É o momento em que o usuário identifica uma necessidade ou conhece um produto ou serviço que pode ajudá-lo. Esse primeiro contato pode acontecer por meio de pesquisas na internet, redes sociais, recomendações ou outros canais.

Nessa etapa, a percepção sobre a marca já começa a ser construída. Segundo o CX Trends 2026, realizado pelo Opinion Box em parceria com a Octadesk, 70% dos consumidores afirmam que evitam comprar de uma empresa quando veem reclamações sobre ela nas redes sociais.

O dado reforça que a experiência de outras pessoas também pode influenciar a jornada, mesmo antes de o usuário interagir diretamente com a marca.

Primeiro contato e acesso

Depois de conhecer a solução, o usuário começa a explorá-la. Isso pode envolver acessar um site, criar uma conta, baixar um aplicativo ou solicitar uma demonstração.

Aqui, a facilidade de navegação, a clareza das informações e a simplicidade dos processos são fundamentais. Formulários extensos, instruções confusas ou dificuldades de acesso podem fazer com que o usuário desista antes mesmo de começar.

Primeiro uso

Nesta etapa, o usuário começa a utilizar o produto ou serviço e descobre, na prática, se ele atende às suas expectativas.

É um momento importante para avaliar a usabilidade, a facilidade de aprendizado e a capacidade da solução de resolver o problema que motivou o primeiro contato.

Uso recorrente

Com o passar do tempo, o usuário passa a interagir com diferentes funcionalidades, recursos e canais de atendimento.

Nessa fase, é importante observar se a experiência continua satisfatória, quais dificuldades aparecem durante o uso e se o produto ou serviço acompanha as necessidades do público.

Continuidade ou abandono

A experiência acumulada ao longo da jornada influencia a decisão de continuar utilizando a solução, recomendá-la para outras pessoas ou abandoná-la.

Por isso, acompanhar indicadores de satisfação, ouvir os usuários e identificar os motivos de abandono são práticas importantes para aprimorar a experiência e fortalecer o relacionamento com o público.

Vale lembrar que essas etapas representam apenas um modelo de referência. Para construir um mapa realmente útil, é necessário considerar as particularidades do produto ou serviço e, principalmente, o comportamento real dos usuários.

Como mapear a jornada do usuário?

Agora que você já conhece as principais etapas da jornada do usuário, é hora de entender como transformar essas informações em um mapa que ajude a visualizar a experiência e identificar oportunidades de melhoria.

O mapeamento deve considerar não apenas os caminhos que a empresa espera que os usuários percorram, mas principalmente o que acontece na prática. Para isso, é importante combinar informações sobre o comportamento do público, seus pontos de contato e suas percepções ao longo da experiência.

Confira o passo a passo:

Defina o objetivo do mapeamento

Antes de começar, é importante estabelecer o que você deseja compreender ou melhorar. O objetivo pode ser identificar por que os usuários abandonam um cadastro, entender dificuldades na utilização de uma plataforma ou descobrir oportunidades para aumentar a satisfação.

Ter um objetivo claro ajuda a delimitar o escopo do mapeamento e definir quais etapas e interações precisam ser analisadas.

Conheça o perfil dos usuários

Para mapear uma jornada, primeiro é necessário entender quem a percorre. Isso significa conhecer as características, necessidades, expectativas e comportamentos das pessoas que utilizam seu produto ou serviço.

Nesse momento, vale recorrer a pesquisas com usuários, entrevistas, dados de comportamento e feedbacks para identificar diferentes perfis e compreender suas motivações.

Lembre-se de que públicos diferentes podem ter jornadas distintas. Por isso, pode ser necessário construir mais de um mapa para representar as experiências de diferentes grupos de usuários.

Identifique as etapas e os pontos de contato

O próximo passo é listar os momentos que fazem parte da jornada e identificar onde acontecem as interações entre o usuário e a marca.

Esses pontos de contato podem incluir o site, aplicativo, redes sociais, e-mails, atendimento ao cliente e até interações presenciais.

O importante é compreender como o usuário transita entre esses canais e quais ações ele realiza em cada etapa. Assim, fica mais fácil visualizar o percurso completo e identificar possíveis interrupções ou dificuldades.

Mapeie necessidades, emoções e dificuldades

Conhecer as ações do usuário é importante, mas não é suficiente. Um bom mapa também deve mostrar o que ele espera, sente e encontra durante cada interação.

Procure responder a perguntas como:

  • O que o usuário deseja alcançar nesta etapa?
  • Quais dúvidas ou dificuldades ele encontra?
  • Como se sente durante a interação?
  • Suas expectativas estão sendo atendidas?
  • O que poderia tornar essa experiência mais simples?

Essas informações podem ser obtidas por meio de pesquisas de satisfação, testes de usabilidade, entrevistas e análise de feedbacks.

Com isso, é possível identificar os chamados pontos de atrito, ou seja, situações que geram frustração, dificultam a realização de uma tarefa ou prejudicam a experiência.

Organize as informações e identifique oportunidades de melhoria

Depois de reunir os dados, é hora de organizar tudo em um mapa visual. Você pode utilizar uma planilha, um quadro colaborativo ou uma ferramenta específica para representar as etapas da jornada.

O ideal é que o mapa apresente, de maneira clara, as ações, os pontos de contato, as necessidades, as emoções e as dificuldades dos usuários em cada momento.

A partir dessa visualização, identifique quais problemas precisam de atenção e quais melhorias podem gerar mais impacto na experiência.

Por fim, lembre-se de que o mapa da jornada do usuário não deve ser um documento estático. À medida que o comportamento do público muda e novas funcionalidades ou canais são implementados, é importante revisitar o mapeamento e atualizar as informações.

Como a pesquisa ajuda a entender a jornada do usuário?

Mapear a jornada do usuário é um exercício que exige olhar para a experiência pela perspectiva de quem realmente utiliza um produto ou serviço. E, para isso, não basta imaginar quais caminhos as pessoas percorrem ou quais dificuldades podem encontrar: é preciso ouvi-las.

É nesse contexto que a pesquisa com usuários se torna uma grande aliada. Por meio de entrevistas, questionários, pesquisas de satisfação e testes de usabilidade, as empresas conseguem compreender melhor as necessidades, expectativas e percepções do público em diferentes momentos da jornada.

Essas informações ajudam a identificar pontos de atrito que nem sempre são percebidos internamente, entender os motivos por trás de determinados comportamentos e descobrir oportunidades para tornar a experiência mais simples e satisfatória.

Além disso, realizar pesquisas continuamente permite acompanhar como a percepção dos usuários evolui e avaliar se as melhorias implementadas estão realmente fazendo a diferença.

Com a Plataforma de CX do Opinion Box, sua empresa pode coletar feedbacks em diferentes pontos de contato, monitorar indicadores como NPS®, CSAT e CES e acompanhar a experiência dos clientes em tempo real.

Quer identificar o que pode ser melhorado na jornada dos seus usuários? Fale com nossos especialistas, conheça a Plataforma de CX e comece a transformar feedbacks em melhorias para a experiência do seu público.

 

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