Stranger Things: sucesso de público e mais um case da Netflix

Stranger Things: sucesso de público e mais um case da Netflix

Se você esteve em qualquer lugar da internet nas últimas semanas, provavelmente ouviu falar da série Stranger Things. Se não, vamos adiantar que trata-se da última novidade – e sucesso, claro – da Netflix.

Stranger Things conta a história do desaparecimento de um garoto em uma cidadezinha americana. Ambientada nos anos 80, a primeira temporada da série mostra a busca da família, amigos e polícia por respostas e pelo menino desaparecido em circunstâncias misteriosas – que envolvem grupos secretos do governo, forças do além e uma garotinha estranha.

Como sempre, a Netflix não divulga dados de audiência do seu conteúdo, mas é claro que há quem estude esse tipo de fenômeno e coloque o sucesso em números. De acordo com o ParrotAnalytics, que analisa dados de demanda por conteúdo com base em tecnologia de Big Data, Stranger Things já é a 2ª série mais assistida nos Estados Unidos atualmente, atrás apenas de Game of Thrones. Entre as produções digitais, porém, a série da Netflix já domina, deixando para trás outros grandes nomes como Orange Is The New Black e House of Cards.

Stranger Things: sucesso de público e mais um case da Netflix

Para tentar entender melhor o que há por trás de todo o buzz que Stranger Things vem fazendo, resolvi escrever este post listando alguns dos fatores que podem explicar o sucesso da série.

Se você ainda não viu os 8 episódios de Stranger Things, não se preocupe. Aqui não tem spoiler. Mas eu realmente recomendo que você veja, antes ou depois de terminar de ler.

A série que você QUER ver

A Netflix começou a virar case por causa do grande trabalho de análise de dados que a plataforma faz de cada usuário. Lá em 2013, quando isso ainda era meio novidade, o algoritmo que sugere o que você deve assistir chamava atenção pela forma como realmente funcionava na prática.

Se você assistisse “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado” (e eu provavelmente assisti), podia esperar uma Netflix personalizada com sugestões que iam da franquia Scream (ou “Pânico”, que eu também vi) até outros filmes e séries obscuros sobre adolescente matando e sendo mortos nos anos 90 e início dos 2000.

Ainda em 2013, era divulgado que 75% do conteúdo assistido era impulsionado pelas indicações do algoritmo da plataforma. De lá para cá, é claro que isso foi aprimorado – apesar de que os números não são mais divulgados. E Stranger Things parece ter nascido justamente desse tipo de inteligência.

Stranger Things vai ser a recomendação de muita gente. A série vai aparecer para quem gosta de suspense, de Sci-fi, de filmes de terror trash dos anos 80, de filmes de aventuras entre amigos dos anos 90. Também serve para quem assistiu muitos filmes de Steven Spielberg, adaptações de Stephen King e até mesmo para fãs de clássicos de aventura da Sessão da Tarde, como Goonies e Conta Comigo.

Todas essas pessoas, de uma forma ou de outra, se envolvem no amplo universo que os diretores, os irmãos Matt e Ross Duffer, conseguiram criar na 1ª temporada. No fim das contas, assim como pregamos no mundo das pesquisas de mercado, esse é o resultado de um trabalho de utilização inteligente de dados coletados. É a prova de que informação bem trabalhada é o caminho para decisões mais acertadas.

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Série para “devorar”

A Netflix divulgou, em junho, um estudo sobre os hábitos de consumo dos fãs de séries, analisando 100 séries vistas em quase 200 países. O estudo mostra como o espectador costuma assistir cada tipo de série, quanto tempo dedica ao programa e, dessa forma, é possível identificar padrões de consumo e trabalhar em cima desses dados.

De acordo com a pesquisa, séries com tramas mais elaboradas e dramas intensos são “saboreadas” com mais calma, levando mais tempo para que o espectador termine uma temporada. Já os programas com doses mais altas de suspense, velocidade e ação são “devoradas”.

Juntando isso ao fato de que a Netflix costuma liberar temporadas inteiras de uma só vez, Stranger Things com seu ritmo acelerado e uma temporada curtinha de 8 episódios só poderia resultar em uma coisa: os fãs terminaram tudo muito rápido e o gosto de quero mais é inevitável.

Esse exemplo, basicamente, reforça algo que sempre pontuamos ao falar de pesquisa de mercado: a necessidade de conhecer a fundo seu público.O levantamento de dados feito pela Netflix trouxe informações sobre o consumidor que representam verdadeiras oportunidades. Assim, é possível oferecer conteúdo que esteja de acordo com a expectativa e os hábitos de consumo do usuário da plataforma.

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Aposta em nostalgia

A Netflix vem apostando em nostalgia e isso vem dando bastante certo. O primeiro hit nostálgico desse ano veio com Fuller House, continuação de Full House (ou “Três É Demais” no Brasil), de 1987, que já garantiu uma nova temporada. No fim do ano ainda chega à plataforma uma continuação de Gilmore Girls (2000-2007).

E na internet, é possível ver que a Netflix virou uma verdadeira salvação para os nostálgicos. É só alguma série querida ser cancelada (ou finalizada) e começa a chover pelas redes sociais apelos para que a Netflix salve o programa.

Em Stranger Things, série totalmente nova e original, o apelo da nostalgia vem de outra forma. Com várias e várias referências citadas pelos personagens, em cenas recriadas como homenagem a clássicos do cinema, com ambiente muito bem adaptado para recriar o clima dos anos 80. E não dá mais para se espantar ao saber disso: a Netflix sabe que seus usuários vão reconhecer e amar tudo isso. O resultado você provavelmente viu em reações apaixonadas no seu feed do Facebook ou do Twitter, certo? Aposto que sim.

Ah, e quando o assunto é nostalgia, Stranger Things ainda veio com uma carta na manga. O maior trunfo foi…

A volta de Winona Ryder

Edward Mãos de Tesoura. Beetlejuice. Heathers. Drácula de Bram Stoker. Garota, Interrompida.

A lista de sucessos do cinema com o nome de Winona Ryder é longa. E provavelmente você ama algum dos filmes acima, especialmente se você cresceu entre o fim dos anos 80 e os anos 90.

Por isso, trazer de volta Winona Ryder como grande nome de uma nova série de suspense não tinha como dar errado. No papel da mãe desesperada para encontrar o filho que desapareceu misteriosamente, Winona é a Winona de sempre, oferecendo uma ótima atuação e matando a saudade dos fãs. Isso tudo além de ser uma parte essencial da receita de Netflix para oferecer uma série que vai atingir em cheio o público-alvo.

Atraindo públicos diversos

Tudo o que já foi listado parece ser a fórmula para alcançar um feito impressionante: Stranger Things alcança públicos muito diversos.

Millenials que amam novidades e assistem séries inteiras em um fim de semana. Nostálgicos dos anos 80 que ainda estão se rendendo ao binge watch da Netflix. Fãs de Winona Ryder que cresceram querendo ser amigos da atriz de Edward Mãos de Tesoura e Bettlejuice.

Para qualquer empresa que ainda tem dificuldade em atingir seu público-alvo ou entender melhor o comportamento do consumidor, fica o exemplo. É difícil de seguir? Sim, claro. Mas inovar nas empresas é preciso e Stranger Things pode ser uma boa lição de como um trabalho bem desenvolvido consegue ter resultados excelentes e não necessariamente surpreendentes.

E o saldo final é:

Uma série impecável, com um elenco extremamente carismático e um potencial para fazer ainda mais sucesso se renovada para mais temporadas. Uma trama interessante, bem desenvolvida e que atende bem quem esperava por um bom suspense, um enredo coerente e um Sci-Fi na medida certa, mesmo que sem reinventar nada em nenhum gênero.

Aqui no Opinion Box, quem assistiu já recomenda. Quem ainda não viu, estamos convencendo a ver logo. A Netflix merece esse nosso trabalho de advogados da marca de Stranger Things.

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AUTOR

Pedro D'Angelo

É jornalista, mas decidiu aventurar-se com Marketing. Hiperativo e curioso por natureza, fala sobre qualquer assunto. Por isso, achou uma boa ideia sentar para escrever sobre eles.