A mulher no mercado de trabalho: pesquisa sobre o dia da mulher

Daniela Schermann
A mulher no mercado de trabalho: pesquisa sobre o dia da mulher

Para celebrar o Dia internacional da Mulher, o Opinion Box preparou uma pesquisa sobre a mulher no mercado de trabalho. Confira os resultados!

No dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher. A data vem ganhando força a cada ano com o crescimento do movimento feminista e da luta pela igualdade de gêneros. Por isso, este é um momento importante para refletir sobre o papel da mulher na sociedade atual.

Ainda que a data tenha um tom comercial, é importante lembrar que ela é resultado de um movimento de luta. Por isso, as ações do Dia da Mulher devem ter como objetivo tentar diminuir e acabar com o preconceito e com a desvalorização da mulher, inclusive no mercado de trabalho.

Pensando nisso, para contribuir com este debate, o Opinion Box realizou uma pesquisa sobre a mulher no mercado de trabalho. A pesquisa abordou temas como assédio, respeito e diferenças salariais entre homens e mulheres.

O Dia da Mulher

Antes de entrar nos dados da pesquisa em si, é importante contextualizar a importância do Dia da Mulher.

Para quem não sabe, a data é resultado de diversos fatos, lutas e reivindicações das mulheres em diferentes momentos da história.

No dia 8 de março de 1857, trabalhadoras de uma indústria têxtil em Nova York fizeram greve por melhores condições de trabalho e igualdade entre os gêneros com relação aos direitos trabalhistas. O movimento foi reprimido com violência pela polícia.

Em 1908, também em Nova York, mulheres do comércio fizeram uma nova manifestação para relembrar o movimento de 1857, exigir o voto feminino e o fim do trabalho infantil. Este movimento também sofreu forte repressão policial.

Além disso, no dia 25 de março de 1911, 129 mulheres morreram queimadas em uma fábrica de tecidos em Nova York. O acidente ocorreu devido às más condições de segurança do edifício. Este fato tornou-se um marco na luta pelas condições de trabalho femininas pois, da tragédia, uma série de mudanças foram feitas nas leis trabalhistas americanas.

Na Rússia, no dia 8 de março de 1917, operárias da indústria têxtil fizeram uma greve contra a fome, contra o czar Nicolau II e também contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial. Este movimento foi o estopim da Revolução Russa do mesmo ano.

O Dia Internacional da Mulher surgiu durante uma Conferência na Dinamarca, em 1910, mas ganhou força mesmo a partir de 1975. Neste ano, a ONU oficializou a data, tornando-a um marco importante no mundo todo.

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Pesquisa sobre a mulher no mercado de trabalho

No mês de fevereiro, o Opinion Box entrevistou 1.713 homens e mulheres do nosso Painel de Respondentes. O objetivo da pesquisa foi avaliar as condições da mulher no mercado de trabalho.

Participaram da pesquisa internautas de todos os estados e de todas as classes sociais acima de 16 anos, respeitando as proporções demográficas deste grupo.

A margem de erro da pesquisa é de 2,4 pp e o intervalo de confiança é de 95%.

Veja agora os resultados da pesquisa:

As condições da mulher no mercado de trabalho

Você acha que homens e mulheres têm as mesmas condições no mercado de trabalho? De acordo com a pesquisa, 60,2% acham que as mulheres têm condições e oportunidades piores do que os homens. Entre as mulheres, esse número aumenta para 69,9%. Já entre os homens, cai para 49,6%.

A situação é ainda mais grave do que parece. 57,3% das mulheres que trabalham ou já trabalharam se sentiram prejudicadas em algum momento em sua trajetória profissional simplesmente por serem mulheres. Além disso, 50,2% das entrevistadas acreditam que teriam tido mais oportunidades de trabalho se fossem homens. E 38,0% dos homens concordam que teriam tido menos oportunidades se fossem mulheres.

A mulher no mercado de trabalho: pesquisa sobre o dia da mulher

Um outro exemplo claro que mostra a diferença existente entre as condições e oportunidades do homem e da mulher no mercado de trabalho é a ocupação de cargos de liderança. Apenas 2,9% dos entrevistados acreditam que, em geral, as mulheres não têm a mesma capacidade que um homem de ocupar um cargo de liderança, e 65,1% acham que deveria haver mais mulheres liderando as empresas.

Ainda assim, de acordo com a pesquisa, 12,6% das empresas não têm nenhuma mulher em cargo de liderança, e 46,6% têm mais homens do que mulheres em seu quadro de gestores.

Mais do que isso. Pensando em homens e mulheres que ocupam cargos semelhantes, 38,2% disseram que as mulheres ganham menos do que os homens nas empresas em que trabalham. Esta ainda é uma triste realidade nas empresas, apesar de 8 em cada 10 responderem que não concordam com essa prática.

A mulher no mercado de trabalho: pesquisa sobre o dia da mulher

Assédio no ambiente de trabalho

Como se não bastasse a dificuldade em ter as mesmas oportunidades que os homens, nós mulheres ainda temos que enfrentar outra situação absurda: o assédio no trabalho.

Os casos de assédio no ambiente de trabalho estão ganhando manchetes mundo afora. Alguns casos são emblemáticos, como as denúncias feitas pelas atrizes de Hollywood e pelas ginastas norte-americanas.

E no Brasil, como é esta realidade?

37,8% das entrevistadas e 28,2% dos entrevistados acreditam que existe alguma forma de assédio contra as mulheres onde trabalham atualmente.

48,5% das mulheres que trabalham ou já trabalharam disseram que sofreram algum tipo de assédio moral no ambiente de trabalho, e 26,3% já sofreram assédio sexual. Apenas para comparar, entre os homens esses números caem para 30,7% e 8,2%, respectivamente.

86,4% acreditam que as mulheres devem reportar o assédio à diretoria ou ao RH da empresa. No entanto, na prática, essa decisão não é assim tão simples. 62,1% das mulheres que já sofreram assédio sexual no ambiente de trabalho não denunciaram o caso à empresa. Mais triste ainda é saber que 57,8% das que fizeram a denúncia não foram apoiadas, e 24,1% foram parcialmente apoiadas.

A mulher no mercado de trabalho: pesquisa sobre o dia da mulher

O debate aberto sobre a igualdade de gênero e o aumento das denúncias parecem estar tendo algum impacto. 27,1% dos homens disseram que mudaram a forma como se relacionam com as mulheres no ambiente de trabalho.

Há algum tipo de exagero em torno das questões de assédio e direito das mulheres? 47,7% acreditam que não. Entre as mulheres, esse número, claro, é ainda maior: 57,4% não veem exagero algum. Entre os homens, 32,2% acham que pode haver sim algum exagero e 31% não concordam nem discordam que há exagero.

O futuro da mulher no mercado de trabalho

Podemos tirar algo de positivo de todos esses números alarmantes? Sim! 64,3% acreditam que a situação das mulheres no mercado de trabalho vai melhorar, e apenas 5,1% acham que ainda pode piorar.

Os dados da pesquisa, como dissemos no início, servem para ampliar o debate e a reflexão. A participação da mulher em cargos de liderança e a diferença salarial são alguns exemplos de como ainda há desigualdade. Além disso, os casos de assédio e a reação de muitas empresas ressalta a necessidade de se falar sobre isso.

Por isso, se você é gestor ou trabalha em uma empresa, não deixe de conversar sobre isso com os demais gestores e colegas. E, principalmente, não deixe de ouvir o que as mulheres têm a dizer. Estes são os principais passos para mudarmos a realidade e construir um ambiente de trabalho saudável para todos.

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Daniela Schermann

Jornalista e Líder de Marketing do Opinion Box, é especialista em Inbound Marketing e entende tudo sobre pesquisa e comportamento do consumidor. Prefere ser chamada só de Dani e está sempre aprendendo alguma coisa nova.

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