Tendências para 2019: o que esperar sobre pesquisa de mercado e opinião

Daniela Schermann
Tendências para 2019: o que esperar sobre pesquisa de mercado e opinião

Todo fim de ano, os especialistas do Opinion Box preparam uma lista com as principais tendências em pesquisa de mercado e opinião para o ano seguinte. Quais serão as previsões de tendências para 2019?

Para preparar essa lista, compilamos diversos assuntos selecionados pelos nossos especialistas. São temas que, na nossa visão, serão amplamente pesquisados por empresas e organizações. Tem também conceitos, técnicas e metodologias que qualquer profissional interessado em conhecer melhor o comportamento do consumidor precisa ficar de olho.

10 Tendências para 2019

Vamos então à nossa lista de tendências para 2019:

1. Transformação digital

Transformação digital é o processo de reestruturação que uma empresa passa para incorporar processos digitais e garantir a sua existência. Os consumidores, em geral, são cada vez mais seres digitais, e as empresas precisam se adaptar a isso.

Assim como as pessoas, algumas empresas têm mais facilidade de se tornar digitais do que outras. Empresas que já nasceram na era digital ou que têm uma gestão da inovação mais consolidada conseguem se adaptar mais facilmente.

Entender os processos de transformação digital nas empresas, encontrar formas de se inserir na transformação digital e pensar em soluções para que esse processo aconteça de forma mais simples e rápida serão alguns dos desafios que o mercado de uma forma geral vai enfrentar nos próximos anos.

E as pesquisas de mercado e opinião poderão ajudar as diferentes empresas a entender o estágio de transformação digital em que se encontram, o que seus clientes esperam em termos de inovação tecnológica e o quanto seus colaboradores estão preparados para as mudança que inevitavelmente irão acontecer.

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2. Código de ética digital

Em 2018, entrou em vigor a GDPR, a nova lei de proteção de dados europeia. Com a nova regulamentação, e também com escândalos recentes como o da Cambridge Analytica, a questão da ética e privacidade dos dados veio à tona com força total.

Os consumidores estão cada vez mais preocupados com a utilização de suas informações pessoais por empresas e organizações (e aqueles que não estão, deveriam estar). Já as empresas estão fazendo esforços para se adequar às normas e às boas práticas de proteção de dados (e, mais uma vez, aquelas que não estão, deveriam estar).

Mais do que regras e leis, vem se formando mundo afora um código de ética digital. Existem uma série de princípios éticos no que tange à captação de dados, armazenamento, análise e divulgação das informações coletadas. Por se tratar de um universo relativamente novo, o limite entre o que é certo e o que é errado ainda não é totalmente claro, o que torna o cenário mais complexo. É por isso que se torna necessário envolver o consumidor nessa discussão. E é por isso que este é um tema relevante quando se fala nas tendências para 2019 em pesquisas de mercado e opinião.

É preciso entender o que os consumidores pensam e esperam em termos de ética digital. No Brasil, o debate ainda está menos aceso do que nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo. Mas é inevitável que o tema ganhe relevância nos próximos anos.

3. Fake news

Para entender o tanto que as fake news ganharam destaque no país, basta olhar o gráfico do Google Trends. Ele mostra o crescimento do volume de busca para o termo nos últimos cinco anos. Não preciso nem dizer que aquele pico ali é exatamente o período eleitoral, certo?

Tendências para 2019: o que esperar sobre pesquisa de mercado e opinião

Mas, independentemente das questões políticas, o tema das fake news é de extrema relevância. Primeiramente, ele não será resolvido facilmente. Em segundo lugar, ele não impacta apenas o universo jornalístico. Empresas, instituições e até mesmo pessoas precisarão de mecanismos para identificar o que está sendo dito sobre elas.

Uma pesquisa feita pelo Opinion Box em abril de 2018, portanto muito antes das eleições e do boom das fake news, identificou que 37% dos internautas já haviam compartilhado uma notícia e depois descoberto que era falsa. Esse número, certamente, é significativamente maior hoje em dia.

Diversas empresas e organizações, como o próprio Google e o Facebook, já se mostraram interessados em auxiliar o combate à fake news. Os caminhos para se conseguir isso, no entanto, não são nem um pouco fáceis. Além de barreiras tecnológicas, o combate à fake news esbarra em situações complexas, como liberdade de expressão.

Como determinar o que é ou não fake news? Quem deve fiscalizar o conteúdo que está sendo produzido e compartilhado? Como evitar uma ditadura da informação, tal qual aquela apontada por George Orwell em 1984? Essas são algumas perguntas que as empresas e governos precisam começar a responder logo. E elas vão precisar fazer muita pesquisa de mercado e opinião para ajudar a encontrar essas respostas.

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4. Customer Experience

Pense em todas as marcas que tentam te impactar diariamente. Desde redes sociais e outdoors até TVs e diretamente nos pontos de venda, são diversas marcas que disputam constantemente um minuto da sua atenção.

E quais aquelas que realmente chamam a sua atenção e se tornam marcantes para você? Muitas vezes, não são as que tem o melhor produto ou serviço, mas sim as que de alguma forma te oferecem uma experiência incrível. Seja um comercial que te faz emocionar, um atendimento diferenciado ou um pós-vendas encantador, a experiência do cliente tem um papel fundamental no engajamento com o consumidor e no sucesso de uma marca.

É por isso que as empresas estão cada vez mais focadas no customer experience. No entanto, para entender o que os consumidores de fato desejam e precisam, é preciso falar diretamente com eles. Este conceito todo não é novo, mas vem ganhando cada vez uma relevância mais vital no dia a dia das empresas, e por isso não poderia estar de fora das tendências para 2019.

5. Marcas com ideologias

Ainda pensando no relacionamento dos consumidores com as marcas, outro tema que vai ganhar cada vez mais relevância no cenário mundial é o posicionamento das empresas em relação às mais diferentes questões políticas, sociais, ambientais etc.

Assim como o AirBnb viralizou no mundo todo com a campanha #WeAccept no SuperBowl do ano passado, diversas outras marcas vêm se posicionando publicamente (se você não se lembra da campanha, basta clicar no vídeo abaixo).

Mas será que o consumidor quer que as empresas se posicionem? O Opinion Box quis entender esse tema e fez uma pesquisa. 75% acreditam que as empresas devem se posicionar publicamente sobre causas sociais, e 37% comprariam mais de uma marca que se posicionasse a favor de causas que eles concordam. Por outro lado, 52% boicotariam marcas que se posicionassem a favor de causas que eles não apoiam.

Além disso, quando o tema é política, a questão divide o público. 52% acham que as marcas não deveriam se posicionar politicamente, e 28% deixariam de comprar de marcas com visões políticas diferentes das suas.

O fato é que, quando uma marca se posiciona, muitas vezes a ideologia dela acaba se tornando maior do que o produto ou serviço que ela oferece. No entanto, no mundo atual, é cada vez mais difícil se manter alheio a algumas discussões. Os próprios consumidores cobram isso, direta ou indiretamente.

A questão aqui, é saber quando se posicionar, e claro, como. Para isso, não basta saber qual o propósito da sua empresa. E é aí que entram as pesquisas de mercado e opinião. Ao saber o que os seus consumidores pensam, fica mais fácil entender o que dizer publicamente.

Tendências para 2019: o que esperar sobre pesquisa de mercado e opinião

6. Realidade mista

A realidade virtual e a realidade aumentada estão ganhando espaço em diversos mercados. Se, para você, a distinção entre os dois é complicada, vou tentar resumir aqui. Realidade aumentada é quando gráficos digitais sobrepõem a visão do mundo real. Realidade virtual é a experiência de imergir na realidade digital, substituindo totalmente a visão do mundo real.
Para dar um exemplo prático: Sabe os filtros do Instagram de orelhinha, óculos e bocão? São filtros de realidade aumentada. Já os óculos que alguns jogos e simuladores utilizam para que a gente seja transportado a um universo digital são óculos de realidade virtual.

E realidade mista? Une o melhor da realidade aumentada com o melhor da realidade virtual. Através da realidade mista, é possível inserir objetos virtuais no mundo real e permitir a interação do usuário com os objetos, produzindo novos ambientes nos quais itens físicos e virtuais coexistem e interagem em tempo real.

Quer entender um pouco o impacto da realidade mista na nossa vida e no mundo dos negócios? Dá uma olhada no vídeo abaixo da Microsoft e veja como eles preveem que o futuro não muito distante será com seus novos produtos:

Diversos produtos de realidade mista já estão disponíveis no mercado, como o HoloLens e o MagicLeap. Ainda são produtos bem iniciantes nesse tipo de tecnologia. Mas dão uma ideia do universo de possibilidades que se abre para empresas e marcas. É por isso que esta é uma das tendências para 2019. Diversos estudos serão realizados para testar produtos, verificar a aderência com o público-alvo, medir intenção de compra etc.

Tendências para 2019: o que esperar sobre pesquisa de mercado e opinião  

7. Augmented Analytics

No seu relatório de tendências, a Gartner apontou os recursos analíticos aumentados como uma das grandes tendências para 2019 e para os próximos anos, não só para pesquisa de mercado, mas para diversos setores, como RH, marketing, compras e atendimento ao cliente.

O termo representa o futuro da análise de dados, e nomeia uma área específica da realidade aumentada que utiliza machine learning para coleta, preparação, mineração, gerenciamento e compartilhamento de dados.

Se para você tudo isso é muito complexo, basta entender que a análise de dados está sendo levada a um nível nunca antes imaginado. Essa é uma das tendências para 2019 e para os próximos anos que deve revolucionar o mercado de pesquisa de mercado e opinião.

8. Smart cities

Cidades inteligentes? Sim! São inúmeras aplicações da tecnologia que podem fazer parte do desenvolvimento urbano. Através da tecnologia, é possível tornar as cidades mais sustentáveis, econômicas e viáveis.

Imagine, por exemplo, que a lixeira da sua casa tenha sensores que avisam o caminhão de lixo se há material ou não a ser coletado. Se a lixeira está vazia, o caminhão não precisa passar lá. Da mesma forma, se o ponto de ônibus está vazio, o motorista não precisa passar ou parar. Se choveu, o sistema de irrigação não precisa ser ativado naquele dia.

As cidades inteligentes utilizam Internet das Coisas e outras tecnologias para otimizar recursos, identificar problemas como vazamento e queda de luz e tornar o trânsito, os transportes públicos e outros serviços mais inteligentes.

Existem diversos exemplos de smart cities ao redor do mundo. São Francisco, nos Estados Unidos, traz modernas soluções para o trânsito e para a construção de residências sustentáveis. Barcelona, na Espanha, conta com uma plataforma inteligente, a City OS, para analisar dados e coletar informações de diversos setores para auxiliar as tomadas de decisões.

No Brasil, também já existem alguns exemplos de cidades que estão se organizando para se tornar cidades inteligentes. No Ceará, vem sendo construída a Smart City Laguna, um empreendimento que quer ser a primeira smart city social do mundo, pois a acessibilidade será seu principal foco, ao lado da sustentabilidade e da qualidade de vida dos seus moradores.

Santos vem se tornando um modelo em termos de urbanismo inteligente. E outras cidades também vêm ganhando destaque com soluções para coleta de lixo, energia renovável e outros aspectos.

O conceito de smart cities vem ganhando adeptos ao redor do mundo, e deve trazer grandes transformações na vida das pessoas. Por isso, é mais uma das tendências para 2019.

9. Fator humano

Falamos aqui de cidades inteligentes, realidade mista, combate às fake news, transformação digital e outros assuntos. A tecnologia vai ganhando proporções cada vez maiores em nossas vidas. Como fica o fator humano no meio disso tudo?

Como manter as relações sociais, valorizar as sensações e sentimentos dos humanos e estimular a criatividade, o desenvolvimento artístico e o raciocínio? Ainda que para alguns essa preocupação possa soar meio careta, a verdade é que este é sim um desafio dos dias atuais e que vai aparecer de forma cada vez mais recorrentes em estudos e pesquisas.

10. Sem achismos

Este já é o lema do Opinion Box desde que a gente existe. Cada vez mais vemos as empresas se preocupando com decisões baseadas em dados e não em achismos. E, com a abundância de dados e com tecnologias cada vez mais avançadas para captar, armazenar e analisar dados, sabemos que esta forma de pensar, orientada por dados, vai se tornar uma tendência cada vez maior.

Por isso, se você quer ter um 2019 mais inteligente e sem achismos, converse com a gente.

Outras listas de tendências

Agora que você já viu nossa lista de tendências para 2019, que tal relembrar quais foram as nossas apostas de tendências dos anos anteriores? Basta clicar nos links abaixo:

E você? Concorda com nossas tendências para 2019? Sentiu falta de alguma coisa?

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Daniela Schermann

Daniela Schermann

Jornalista e Líder de Marketing do Opinion Box, é especialista em Inbound Marketing e entende tudo sobre pesquisa e comportamento do consumidor. Prefere ser chamada só de Dani e está sempre aprendendo alguma coisa nova.