O atual cenário da Inteligência Artificial no Brasil

Tiago Magnus (Autor convidado)
O atual cenário da Inteligência Artificial no Brasil

Muita gente pensa que a inteligência artificial no Brasil é utopia. Muitos, aliás, têm uma ideia futurista sobre o termo – como se a IA só estivesse relacionada a robôs ultra modernos e filmes de ficção científica.

A verdade é que, com a transformação digital, a inteligência artificial já faz parte do dia a dia da maioria dos brasileiros e aparece em tarefas bastante rotineiras – como, por exemplo, nas recomendações que recebemos dos sites com base em pesquisas anteriores e nos serviços otimizados de atendimento ao cliente através dos chatbots.

Há, inclusive, os que dizem que a IA é a tecnologia mais importante no processo de inovação vivido atualmente pelo Brasil. São Paulo é um dos estados que mais tem investido nesse quesito, a começar pela parceria da Secretaria Estadual de Educação com a Microsoft, com o intuito de acabar com os papéis e passar todos os materiais pedagógicos do ensino médio para o ambiente virtual.

Para expandir ainda mais o acesso de alunos às plataformas web, o contrato firmado entre as duas instituições também envolve a expansão da capacidade de banda larga e a instalação de Wi-Fi em 5 mil escolas estaduais.

Mas não é apenas a área educacional que tem percebido as diversas vantagens da aplicação de inteligência artificial em atividades diárias. São vários os segmentos que desejam aumentar a produtividade e reduzir os custos com o uso da tecnologia, como você confere agora:

Aplicação da inteligência artificial no Brasil

No âmbito financeiro, o Bradesco é um dos bancos do país que dobrou o orçamento destinado à IA em 2018. O gerente de inovação, Marcelo Câmera, revela que o índice de satisfação com os robôs que fazem atendimento ao público através do app para celulares é de 70%. Hoje, a máquina responde cerca de 11 mil questionamentos diariamente.

A mesma reportagem da Época Negócios pontua vários outros nomes de empresas com atuação no mercado nacional que investem pesado em inteligência artificial e colhem frutos promissores. O motivo? Essa é uma das áreas que crescem mais rapidamente no Brasil.

“A competição está crescendo e reduzindo os preços. Além disso, quanto mais usuários, menores os preços. Os descontos crescem à medida que a concorrência aumenta, chegando entre 30% e 40%”, nas palavras de Donald Feinberg, VP de Pesquisa da Gartner.

A Smiles, programa de fidelidade e relacionamento da Gol Linhas Aéreas, também conta com a rapidez e a praticidade dos robôs para responder aos usuários de suas redes sociais. Denominada de Emília, a assistente virtual é capaz de verificar reservas, consultar voos e solicitar cancelamentos sem a ajuda humana.

Porém, não pense você que somente as marcas já consolidadas no mercado usam a tecnologia a favor dos planejamentos e ações estratégicas. Uma reportagem da IstoÉ Dinheiro, publicada em setembro de 2017, revela que existe um grupo formado por 80 startups nacionais que não perdem tempo quando o assunto é inovação.

Segundo o texto, em 2020 o mercado global de IA deve movimentar mais de 125 bilhões de dólares. Metade desse valor será investida em softwares de análise de dados e informações. Até esse mesmo ano, a previsão é que 85% dos centros de atendimento sejam virtuais.

“A Contratado.me, por exemplo, desafia a área de recrutamento de pessoas. A Worthix quer revolucionar o setor de pesquisas. A Legalbots automatiza processos normativos e de regulação, agilizando o trabalho do departamento jurídico de empresas. A Propulse personaliza as vendas do comércio eletrônico. A Allgoo desenvolveu um kit completo para digitalizar os bancos. E, por fim, a Hi Platform desenvolve chatbots, robôs de bate-papo para atendimento ao consumidor, que podem dizimar o setor de call center nos próximos anos.”

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Ufa! Os casos são muitos e mostram apenas uma parte do atual panorama da inteligência artificial no Brasil.

Tudo bem que as coisas estão mudando cada vez mais rapidamente e que, às vezes, fica até difícil de acompanhar o ritmo imposto pela transformação digital em terras tupiniquins. Por mais que já exista uma movimentação de iniciativas brasileiras, um estudo da Accenture, que contou com a participação de 30 país e mais de 5 mil empresas, descobriu que o Brasil está atrasado na implementação de IA no negócios, se comparado com demais localidades.

Para o diretor da unidade responsável pela implementação de soluções digitais na América Latina, Paulo Ossamu, ainda que estejamos nos inserindo nesse mercado, poderíamos estar em outro patamar.

Com a crise econômica e o corte de investimentos no país, muitos profissionais da área saíram e as estratégias antigas de negócios não foram revistas para abraçar as mudanças tecnológicas.

As empresas aqui não decidiram rever as estratégias de negócio à luz do impacto da IA. Estão muito na observação, testando aqui e ali. Só que isso não vai levar a lugar algum.

A solução? Sair da inércia, alterar o que for preciso na cultura organizacional, antecipar-se às situações que podem surgir e ter coragem para lançar novos produtos, atacar outras indústrias, adaptar os serviços às necessidades atuais e surfar a onda do crescimento enquanto ainda há tempo de alcançá-la.

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Tiago Magnus (Autor convidado)

Tiago Magnus (Autor convidado)

Atuou nos últimos 10 anos em projetos digitais, trabalhando com marcas como Lenovo, Carmen Steffens, Mormaii, VTEX, Carrefour, Centauro, e como sócio de uma das principais agências digitais do Brasil. Hoje, é Diretor de Transformação Digital na ADVB e está à frente do portal TransformacaoDigital.com, empreendendo para democratizar o futuro.